Depoimentos de professores que participaram de uma Viagem à Israel

> Educação em Israel - Por Liz Andreia Giaretta

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Israel na visão de um historiador - Por William de S. N. Martins

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Um olhar mais que geográfico sobre Israel - Por Andressa Turcatel Alves Boligian e Levon Boligian

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Educação em Israel - Por Liz Andreia Giaretta
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Foto: Wel Calandria

Por Liz Andreia Giaretta
liz.mefi@hotmail.com

Israel é um pequeno país do Oriente Médio considerado o berço das três principais religiões do mundo: cristianismo, judaísmo e islamismo. Em seu pequeno território vivem aproximadamente 7,6 milhões de habitantes (2010) sendo 75,5% judeus, 20,3% árabes e 4,1% de outras etnias.

Com frequência, as notícias veiculadas na mídia sobre esse país referem-se, principalmente, aos seus problemas geopolíticos decorrentes dos problemas entre israelenses e palestinos. Nesse sentido, são divulgados os constantes atos terroristas, as guerras, a existência de assentamentos judeus em territórios destinados a população palestina, principalmente na Cisjordânia, a construção de um muro entre os dois territórios.

Também é noticiada a relação, nem sempre amistosa, de Israel com outros países do Oriente Médio. Há ainda o radicalismo de muitos judeus ultra-ortodoxos e de outros segmentos da sociedade israelense, que dificulta avanços no processo de paz com os palestinos. Todas essas situações existem de fato no país e, algumas delas, podem ser percebidas em suas paisagens, a exemplo do muro e de outras construções feitas para a defesa do território.

No entanto, lançando um olhar mais atento o observador também vai encontrar nessas mesmas paisagens o resultado dos investimentos que Israel vem realizando em pesquisa e tecnologia. Isso porque o conhecimento tecnológico, científico e inovador produzido no meio acadêmico, muitas vezes, em programas de consórcio com a iniciativa privada, é transferido para a melhoria das condições de vida de uma parcela da população israelense e da economia do país, incluindo suas relações comerciais.

Assim, cerca de 40% dos produtos exportados por Israel são, em sua maioria manufaturados, alguns dos quais de alta complexidade tecnológica (comunicação, equipamentos militares, softwares, produtos farmacêuticos, química fina). Além de produtos, o país exporta serviços tecnológicos, com soluções criativas e inovadoras.
Um exemplo de transferência tecnológica comercial de Israel para outros países do mundo é o que foi realizado com o Semiárido nordestino no Brasil, especialmente, em Petrolina, Pernambuco. Nessa região houve, na década de 1990, a aplicação de técnicas de irrigação israelense para o desenvolvimento da fruticultura, destinada principalmente ao mercado externo. Petrolina é considerada um pólo de crescimento econômico no Nordeste brasileiro, região marcada pela pobreza e pelas dificuldades climáticas, mas que pode desenvolver a atividade agrícola, graças, em parte, à tecnologia exportada de Israel.
Em Israel, muitas pesquisas tecnológicas são utilizadas para gerenciar algumas características físicas do território, que por si só já dificultariam seu desenvolvimento econômico. Além de sua pequena extensão (27,8 mil km2), mais da metade desse território é composta de terras desérticas – a região do Neguev, onde o clima é árido. Há carência de água e de outros recursos naturais e muitos tipos de solo não são propícias à atividade agrícola.

No entanto, esses aspectos físicos não impediram que Israel tivesse uma produção agrícola e pecuária com expressiva produtividade, principalmente de frutas, cereais, flores e produtos pecuários. Tal produtividade vem sendo obtida com base em inúmeras pesquisas tecnológicas. Delas resultaram eficientes técnicas de manejo do gado, correção de solo e, principalmente, de irrigação que são aplicadas nos Kibtuzim e moshavas espalhados pelo país, que se dedicam a atividade agropecuária. O resultado dessas pesquisas também pode ser observado nas cidades israelenses, nas quais é possível ver calçadas com canteiros de flores, graças a um sistema de irrigação por gotejamento que mantém úmido o solo durante todo o ano.

Há ainda a aplicação de tecnologia na produção de energia solar, no reaproveitamento e no abastecimento de água, pois em Israel as chuvas são escassas e irregulares. Além disso, quase todos os cursos de água do país são temporários, ou seja, secam totalmente no período da estiagem. Apenas o Rio Jordão – concentrado na porção norte do país – e outros poucos cursos de água pequenos são perenes. Diante disso, é uma questão de sobrevivência o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para o uso racional da água.
A tecnologia também está presente nos sistemas de rastreamento e monitoramento da segurança do território israelense, em razão das ameaças terroristas internas e com os países vizinhos.

Independente da visão ideológica que se possa ter do país, é inevitável o questionamento: Qual é a principal fórmula adotada por Israel para poder alcançar esses níveis elevados de desenvolvimento tecnológico e também econômico e vencer os tamanhos desafios impostos pelo seu meio físico?

Ainda que não possa ser considerada um fator isolado, a resposta mais adequada para essa pergunta é EDUCAÇÃO. O país vem, desde sua criação, realizando investimentos expressivos em educação, buscando de fato melhorar sua qualidade, com competência e proficiência, o que resultou em uma população com cerca de 96% de alfabetizados e um grande contingente de mão de obra técnica e qualificada.

Um recente relatório publicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 2012 apresenta dados e análises para o ano de 2009 sobre diferentes aspectos relacionados à educação de seus 34 países membros, entre os quais está Israel (membro desde 2010), e de outros países convidados, entre os quais está o Brasil. Ao analisar alguns dados de Israel presentes nesse relatório podemos compreender as razões pelas quais o modelo de desenvolvimento econômico israelense está pautado, sobretudo, em uma educação de qualidade.

O total de gastos públicos e privados realizados por Israel com educação do primário até o terciário em 2009 foi de cerca de 7,2% do PIB, superando a média dos países da OCDE, que é de 6,2% do PIB. Desse percentual 4% foram gastos nos ensinos primário, secundário e outros segmentos, e 1,6% no ensino terciário. Ainda que o percentual gasto no ensino terciário tenha diminuído entre 2008 e 2009, em razão do impacto da crise econômica mundial no país, ele se mantém na média dos países da OCDE, que é também de 1,6% do PIB.

Nos gastos com educação estão incluídos os serviços essenciais  (professor, construção de escolas, materiais didáticos e a administração escolar), os serviços auxiliares (transporte, refeição, etc.), além da pesquisa e desenvolvimento (P&D), especificamente no ensino terciário. Israel é o país que mais realiza gastos com pesquisa e desenvolvimento no mundo, seguido da Suécia, da Coreia do Sul e do Japão. Em 2009, ainda de acordo com o OCDE, o gasto com P&D de Israel foi de 4% do PIB. Cerca de 80% desse gasto são de empresas privadas israelenses, mas o país também se destaca como o que mais investe em P&D no ensino terciário.

Além dos gastos públicos e privados, há uma questão histórica e cultural de valorização da educação em Israel, notadamente pela comunidade judaica, que compõe a maior parte da população. Assim, a responsabilidade de educar a criança não é somente da escola, mas da comunidade como um todo e, em especial, da família. O esforço é conjunto e facilitado pelas autoridades com os investimentos necessários para que atinja a qualidade adequada.

Por essas razões, é elevada a quantidade de crianças em idade escolar, que estão na escola. No sistema educacional israelense, de acordo com informações do site da Embaixada de Israel no Brasil.

A frequência escolar é obrigatória dos 6 aos 16 anos e gratuita até os 18 anos. A educação formal se inicia na escola primária (1a à 6a série) e prossegue no nível médio (7a à 9a série) e secundário (10a à 12a série). Cerca de 9% da população escolar entre 13 e 18 anos estuda em regime de internato.

As escolas são divididas em quatro grupos: escolas públicas, frequentadas pela maioria das crianças do país; escolas públicas religiosas, que dão ênfase aos estudos judaicos, à tradição e à observância religiosa, dedicando 75% do tempo a estudos religiosos e os 25% restantes com outras disciplinas do currículo; escolas árabes e drusas, onde a língua de ensino é o árabe e que focam na história, religião, cultura árabe e drusa; e escolas particulares, sob os auspícios de vários grupos religiosos e internacionais.

O currículo das escolas públicas e públicas religiosas é supervisionado pelo Ministério de Educação de Israel. Há uma estrutura separada para escolas árabes e um conselho específico para o ensino terciário.

Há ainda outro fator publicado no relatório da OCDE que nos chama a atenção. Trata-se da excelência na formação dos docentes que vão atuar nos primeiros anos de escolarização. De acordo com (HIEBERT; STIGLER, 1999) “melhorar a eficiência das escolas depende de uma grande medida em garantir que pessoas competentes queiram trabalhar como professores, e que o seu ensino seja de alta qualidade. Países criam essas condições de maneiras diferentes”.

Em Israel um candidato a professor deve, obrigatoriamente, cumprir alguns requisitos para trabalhar na escola pública nos segmentos de ensino (pré-primário, primário, secundário). Além de ter um diploma de nível superior e de obrigatoriamente passar por um exame competitivo os candidatos a docentes devem ter uma credencial ou licença para começar a lecionar e outra que ateste sua qualificação completa, emitida por uma agência ou instituição do governo após treinamento. Além disso, participa de um período de estágio probatório durante o trabalho a fim de se tornar totalmente apto ao exercício da função docente.

Depois de devidamente capacitado o professor em Israel deve participar de cursos de formação continuada visando a sua atualização. Nos últimos anos, muitos desses cursos buscam integrar a tecnologia com o ensino. O professor conta com projetos ligados a tecnologias educacionais inovadoras para a melhoria na qualidade do ensino e aprendizagem, principalmente, nas ciências.

Há incubadoras, empresas privadas e universidades israelenses dedicadas, por exemplo, ao desenvolvimento de softwares educativos, jogos, animações, infográficos e outros tipos de atividades on-line interativas que podem ser utilizadas para o ensino dos conteúdos na escola, em diferentes segmentos de ensino. A importância desses projetos se deve ao fato de que,

Tem-se constatada a importância e a urgência de se promover a integração das tecnologias ao trabalho escolar, visto que elas estão cada vez mais presentes no cotidiano de crianças e jovens e que sua utilização é uma competência básica fundamental que deve ser desenvolvida no ambiente escolar, tendo em vista sua relevância para a formação de cidadãos críticos e aptos a utilizar essa competência no ambiente de trabalho, nos estudos e em outros contextos (FNDE, 2011, p.48).

O relatório da OCDE também mostrou que em Israel houve aumento dos salários dos professores do ensino fundamental (32%) e médio (8%) entre 2005-2010. Apesar do aumento, o salário dos professores israelenses ainda é significativamente menor do que outros países membros da OCDE. Além disso, o professor israelense, com exceção dos que atuam no ensino primário, trabalha menos tempo em sala de aula e, desse modo, pode se dedicar mais a preparação de aulas, correções de trabalho, treinamentos e reuniões pedagógicas, melhorando desse modo, a qualidade de sua aula.

Quanto ao ensino terciário, cerca de 46% dos israelenses têm ensino superior e, por isso, Israel é o segundo país do mundo com população entre 25 e 64 anos, com níveis educacionais elevados, ficando atrás apenas do Canadá.

Logicamente que há desafios para que o país continue com níveis educacionais elevados no ensino terciário. Há esforços do governo para melhorar a qualidade desse ensino. De maneira gradativa, ele pretende aumentar ainda mais o orçamento destinado à educação nesse segmento e, para isso, se for necessário, pretende diminuir o orçamento destinado à segurança do país. A intenção também é tornar esse ensino mais acessível, incluindo os árabes e os judeus ultra-ortodoxos, principalmente mulheres.

Há muitos outros dados que poderiam ser analisados para nos dar um panorama ainda mais amplo da realidade educacional israelense. No entanto, os que foram postos neste artigo já nos possibilita constatar que ações conjuntas promovidas nesse pequeno território de tantas complexidades  formaram o que Milton Santos denomina de um “meio técnico-científico-informacional”, caracterizado pela união entre a ciência, a técnica e a informação. A mais assertiva dessas ações foi, sem dúvida, o investimento em educação, bem como a sua valorização e busca pela qualidade.

Em recente entrevista, o sociólogo italiano Domenico de Masi comentou que:
Os intelectuais brasileiros, agora, têm o dever de criar um modelo autônomo de cultura. Se o Brasil quiser ser um país de “primeiro mundo”, deve apostar, sobretudo, na produção de ideias, alerta. A sociedade pós-industrial é marcada pela circulação de bens simbólicos. Possuir fábricas não equivale a estar no “primeiro mundo”, que é caracterizado por universidades, laboratórios de pesquisa e veículos de comunicação de qualidade. O destino do “terceiro mundo” é concentrar fábricas, mão-de-obra barata. [...]

E o que falta no Brasil? Falta um forte empenho da parte dos intelectuais [e dos governantes, além da mudança de mentalidade da população no sentido de valorizar mais a educação] para transformar a experiência em modelo. Acho que nem os intelectuais europeus nem os americanos são capazes de fazer isso, pois a situação de grande crise os impede de olhar o futuro como uma programação equilibrada. Mas me parece que os intelectuais [e os governantes] brasileiros não têm consciência de que o país, neste momento, tem este dever: o de propor um modelo seu, que seja vencedor, para o mundo. (CASTRO, 2012).

De nossa perspectiva, não se pode desprezar a validade e a eficiência do modelo israelense no que se refere à educação. Ele pode ser um importante referencial para a criação de políticas públicas locais ou nacionais que nos conduza a uma melhor gestão da educação no Brasil a fim de que, com o tempo, alcancemos um desenvolvimento tecnológico e econômico efetivo.

Não se trata de copiar mais uma vez modelos importados e tentar adaptá-los à nossa realidade que, no caso, é extremamente diversa de Israel no que se refere à população, cultura, economia, geopolítica, etc. Porém, a via universal para “incentivar a produção de ideias, de pesquisa para desenvolvimento de tecnologias que possam ser aplicadas para melhorar as condições de vida da população” é investir em uma educação de qualidade, desde os primeiros anos de escolarização. Esse foi o caminho trilhado por Israel e ele também pode, com a devida especificidade, ser o caminho a ser trilhado por nós para criarmos o modelo brasileiro de “país vencedor”.

Referências
CARVALHO, Elma Júlia Gonçalves de. Estudos Comparados: repensando sua relevância para a educação. In: Sociedade Brasileira de Educação Comparada. 4º Encontro Internacional da Sociedade Brasileira de Educação Comparada, 2008.


OECD. Education at a glance 2012: OECD Indicators. Disponível em: <http://www.oecd.org/edu/eag2012%20(eng)--Ebook%20
(FINAL%2011%2009%202012).pdf
>. Acesso em: 19 set. 2012.

O Produto Interno Bruto (PIB) israelense foi de US$ 243 bilhões, em 2009. Um valor pequeno se comparado ao PIB brasileiro do mesmo período, que foi de US$ 3,2 trilhões e o dos Estados Unidos, de US$ 15 trilhões. O Brasil gastou no mesmo período 5,2% do seu PIB em educação e os Estados Unidos 7,3%.

CASTRO, Cintia Salomão. Um novo modelo de vida. Entrevista do sociólogo Domenico de Masi a Comunità Italiana, 16 ago. 2012. Disponível em: <http://www.comunitaitaliana.com/site/index.php?
Itemid=&cucoaction[0]=about&id=&option=&task
=>. Acesso em: 19 set. 2012.

EMBAIXADA de Israel no Brasil. Disponível em: <http://embassies.gov.il/brasilia/AboutIsrael/Education
/Pages/EDUCACAO-Pre-escola.aspx
>. Acesso em: 19 set. 2012.

FNDE. Edital de convocação para o processo de inscrição e avaliação de coleções didáticas para o Programa Nacional do Livro Didático PNLD 2014. Disponível em: <http://www.fnde.gov.br/index.php/programas-livro-didatico>. Acesso em: 19 set. 2012.

LEV, David. Israel, World Champ in Milk Production, Helps Out S. Korea. 22 set. 2011. Disponível em:  <http://www.israelnationalnews.com/News/News.aspx/148175>. Disponível em: <http://www.oecd.org/edu/eag2012%20(eng)--Ebook
%20(FINAL%2011%2009%202012).pdf
>.  Acesso em: 19 set. 2012.

OECD Science, Technology and Industry Outlook 2012 .Disponível em:  <http://www.oecd.org/israel/sti-outlook-2012-israel.pdf>. Acesso em: 19 set. 2012.

PNUD. Relatório de desenvolvimento humano 2011. Disponível em:
<http://www.pnud.org.br/>. Acesso em: 19 set. 2012.

SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio-técnico-
científico-informacional. São Paulo: Hucitec, 1994.

SOUZA, Niza. Israel ensina a cultivar no deserto. In: O Estado de S. Paulo,11 mar. 2009.  Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,israel-
ensina-a-cultivar-no-deserto,336869,0.htm
>. Acesso em: 19 set. 2012.

STIGLER,  James W.; HIEBERT, James.  The teaching gap: best ideas from the
world's teachers for improving education in the classroom. New York: Free Press, 1999.

THE CENTRAL BUREAU OF STATISTICS ISRAEL. Disponível em: <http://www1.cbs.gov.il/reader/cw_usr_view_Folder?ID=141>. Acesso em: 19 set. 2012.          

THE ECONOMIST. R&D Spending, 1 out. 2011. Disponível em:   
<http://www.facti.com.br/que-pais-investe-mais-em-pd/>. Acesso em 15 set. 2012.                                     

UNICEF. Disponível em: <http://www.unicef.org/infobycountry
/israel_statistics.html
>. Acesso em: 19 set. 2012.

 

 

Israel na visão de um historiador - Por William de S. N. Martins
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Foto: Wel Calandria

Por William de S. N. Martins

As viagens tem um valor único, durante anos elas estimularam o imaginário humano, vale lembrar os escritos de Marco Polo ou mesmo as narrativas de exploradores que se aventuravam em várias partes do mundo e posteriormente reportavam suas visões aos reis europeus. Ao viajar, nos arriscamos a conhecer o novo, a experimentar os sabores e aromas e a apurar o nosso olhar sobre as sociedades.

Devido ao avanço no sistema de transportes e de comunicação, o século XX oferece a oportunidade de cada vez mais pessoas aproveitarem as viagens que antes era privilégio de exploradores. Se o viajar sempre foi importante, para um historiador que apreende nos livros e nas aulas acadêmicas a respeito de diversas culturas e posteriormente ensina aos seus alunos sobre batalhas, povos e formas de poder, torna a viagem, principalmente as mais distantes, uma forma do historiador se colocar como um explorador, que conjuga seu conhecimento prévio com a prática da viagem e que posteriormente leva aos seus alunos.

Em março de 2012 fui surpreendido com o convite da Revista Aliança Cultural  para participar de um projeto cujo foco era levar pesquisadores de ciências humanas para visitar vários pontos de Israel e, a partir dessa experiência, pudéssemos apurar nosso olhar sobre aquele país. Desde o primeiro momento fiquei deveras feliz, pois conhecer o país certamente traria uma rica experiência pessoal além de mais subsídios  para minhas aulas.

Em fins de julho embarquei com mais 8 pesquisadores rumo a Tel-Aviv. Foi bom encontrar companheiros de profissão animados com algo novo e perceber que aquele olhar de explorador não estava só em mim, mas em todos os participantes. Pude perceber ainda mais essa questão durante o voo, pois pudemos nos conhecer melhor e aprofundar assuntos com pessoas que posteriormente eu saberia que iriam se tornar grandes amigos.

Após quase 15 horas de viagem e uma parada em Frankfurt, que não nos abstivemos de conhecer um pouquinho, pousamos no aeroporto internacional de Israel, Ben Gurion. Se vale o ditado de que “a primeira impressão é a que fica”, o aeroporto impressiona pela sua beleza arquitetônica, plástica e também pela segurança que o visitante recém chegado sente. O grupo, mesmo cansado da longa jornada, estava animado com o local e cada um notava um detalhe que era comentado, a partir daquele momento colocava-se em prática o olhar do explorador.

A programação constava que ficaríamos primeiramente na cidade de Jerusalém, então, embarcamos em uma van em Tel-Aviv para ir até a cidade. Com aproximadamente quarenta minutos uma da outra, o caminho me impressionou pela quantidade de áreas verdes, por vias rápidas e na subida para Jerusalém que, desde aquele momento sentíamos a diferença para um clima mais seco e também mais agradável.

Existem duas “Jerusalens”, a “cidade velha”, cercada pelas muralhas e a “cidade nova”. A primeira noite em Jerusalém foi marcada pela expectativa de conhecer a cidade velha. Pode-se imaginar a animação que dá de estar tão próximo a uma cidade que data do século IV a.c, e é o centro religioso para cristãos, judeus e mulçumanos. Pude perceber a mesma expectativa em todo grupo durante o café da manhã quando conversávamos sobre nossas impressões e nosso conhecimento sobre o local.

A chegada à entrada da cidade impressiona qualquer um. Como historiador, ver aquelas muralhas altas e belas que durante séculos foi palco de batalhas e serviu para proteger, mas essas mesmas muralhas viram florescer inúmeras culturas é realmente  fantástico. Ao entrar pelos portões da cidade velha percebemos uma cidade rica culturalmente e um intenso comércio.  Ficamos sabendo que a cidade é dividida em quatro bairros: o muçulmano, o judeu, o cristão e o armênio.

O mesmo encantamento e surpresa deram-se ao andarmos pelas ruelas da cidade. Se a primeira visão que temos no ocidente quando falamos de Israel é sobre o conflito árabe-israelense, ao caminharmos pelos bairros da cidade velha percebemos uma convivência pacífica entre os grupos que vivem na região. Sem dúvida que um analista atento e com mais tempo para fazer uma descrição densa perceberá alguns pontos de tensão, que acontece entre duas culturas tão próximas e tão distantes ao mesmo tempo.

Ao caminhar pela via dolorosa entramos por pequenas lojas árabes vendendo panos, pulseiras, comidas e também artefatos religiosos para cristãos, mulçumanos e judeus, da mesma forma cruzam nesse “caldeirão cultural” padres, judeus ortodoxos, militares israelenses e um incontável número de turistas de todo o mundo que vão ali entender um pouco mais sobre essa fascinante cidade.

 

 

 

Um olhar mais que geográfico sobre Israel - Por Andressa Turcatel Alves Boligian e Levon Boligian
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Falar sobre lugares nos revela amplas possibilidades. Isso porque os lugares são possuidores de significados coletivos e, sobretudo, de significados íntimos, de experiências vividas, de sentidos e de sentimentos. E é dentro de nós que construímos esses significados.

O perceber os lugares revela, ainda, muitas impressões e ideias, que fazem parte da história e da construção do pensamento de cada um. Desse modo, ter a oportunidade de conhecer um lugar que se encontrava, até então, apenas em nosso imaginário, defrontando-se com sua realidade cultural, ambiental e econômica, mostrou-se como uma oportunidade única.

A visita a Israel, em julho de 2012, nos proporcionou uma série de percepções e experiências um tanto profundas. Ao conhecer melhor a história da sociedade israelense, as características de suas culturas, dos costumes, dos símbolos e de suas práticas, do espaço ocupado e transformado, revelaram-se observações que alcançaram mais do que um olhar geográfico, proporcionaram um olhar íntimo sobre esse lugar.

Um lugar de coexistências

A relação das pessoas com seu sentimento de pertencimento à comunidade, à religião, à política e ao território, causaram uma série de impressões que se sobrepuseram umas às outras. O espaço em Israel é mais do que um território definido por um grupo ou por ideais. Ele é também produto de pactos e de parâmetros de uso definidos, interdições, delimitações, segregações, limites e fronteiras, ou seja, de coexistências.

Pessoas com diferentes origens encontraram e encontram em Israel seu lugar, seu refúgio, seu lar, suas origens, sua fé. Mais do que o de habitar, percebe-se em Israel o significado de viver, seja nos prédios modernos em Tel-Aviv, nas comunidades dos kibutzim e moshavim no interior, seja nos bairros históricos das cidades sagradas.

Coabitar, conviver, dividir o mesmo espaço, aspectos que proporcionaram impressões e ideias em Israel.

É certo que em muitos outros lugares do mundo coabitam grupos com diferentes origens étnicas e culturais, mas, então, o que faz de Israel um exemplo excepcional de interesse e atenção no mundo todo?


Indicações de um mesmo lugar, povos diferentes

A identidade secular do sagrado certamente é uma das formas mais espetaculares de se sentir Israel. E Jerusalém, Yerushalayim como ouvimos tanto durante a viagem, é o ponto alto dessa identidade. Andar pelas ruelas da Cidade Velha pode ser considerado o exemplo mais vivo de onde sentir a emoção dominando a razão, sentir o seu próprio ser, sua própria existência e a transcendência que se revela. É inegável que a religião pode determinar características da organização do espaço, cria os lugares e determina refúgios, mas porque isso nos importa tanto?

Crenças e convicções, o que se ouve no noticiário, se lê nos jornais, as discussões mais calorosas sobre as leis e regras de nossa sociedade, nossos tabus, têm em suas origens as convicções regidas pela sociedade judaico-cristã. Por isso, quando disser a alguém que irá a Israel, poderá ouvir que, mesmo uma pequena pedra ou um punhado de terra trazida de lá, serão recordações maravilhosas.

O sagrado e o profano

Terra Santa. Assim, identificamos essa proximidade, ou seja, percebemos um lugar santo, relacionando-o às nossas recordações e sentimentos mais íntimos.

A emoção súbita em lugares como o Santo Sepulcro, o Muro das Lamentações ou a igreja da Natividade, vai além da identificação do sagrado, é a percepção com todos os sentidos: vendo, ouvindo e tateando paredes onde certamente milhares de pessoas, há séculos, impregnam com sua energia, professam sua fé, agradecem e pedem por suas vidas. São lugares que estão em nosso imaginário e guardam aquilo que deu sentido às nossas raízes e, de certa forma, consolidaram os vínculos familiares de nossos antepassados.

Nas ruas da Cidade Velha de Yerushalayim percebe-se o sagrado, mas também o profano, ou seja, mais uma vez a coexistência estampada na paisagem, caracterizada por uma explosão de cores, aromas, sons e movimentos rápidos dos comerciantes, dos turistas, dos peregrinos, que se revelam em cada microespaço, em cada conversa, em cada câmbio.

 

A floresta e o deserto

É importante citar também a marcante identidade ambiental em Israel. De um lado, as montanhas verdejantes recobertas pela floresta de pinheiros exóticos e as plantações irrigadas das planícies do litoral, de outro o deserto e as depressões absolutas de mar Morto e do mar da Galileia. Aspectos relacionados à geomorfologia e ao clima, que influenciam o uso do espaço e de recursos naturais preciosos, como a água.

Para nós que vivemos em um dos países com maior disponibilidade hídrica, temos percepções diferentes da água e de seu uso. Lá, olhos atentos vêem a menor planta de um jardim com gotejamento constante florescer no Sol absoluto e na terra arenosa. Vêem também os uadis, vales secos onde, nos poucos dias de chuva durante o ano, brotam os cursos de água intermitentes que cortam os vales em diferentes regiões de Israel. Eles são um deleite aos que buscam explicações para a vida vegetal tão necessária aos olhos ocidentais.

O fascínio que as regiões desérticas causam, por outro lado, prova que, mesmo sendo realidade distante do nosso cotidiano, esses são lugares que fazem parte de nosso imaginário. As tendas dos beduínos, por exemplo: tendas que não encontramos, mas casas com materiais diversos, como chapas de metal, que abrigam as comunidades de pastores. Como vivem ali? Como é possível viver em meio a um clima tão hostil. Uma hostilidade que fascina o olhar estrangeiro.

Texturas: permanecias e transformações

A história dinâmica em Israel, seja ela a recentíssima história ou os fatos milenares, as lutas, derrotas e conquistas de seus povos, coabitantes, do Estado, das marcas na paisagem de cada lugar, de suas permanências e transformações, nos levam a refletir sobre como somos pequenos diante de tanta complexidade. Essa história, presente em cada pequeno pedaço de terra, nos prédios, nos monumentos, no espaço da arte, nos sítios arqueológicos, em diferentes lugares enfim, é parte do cotidiano em Israel, ela se revela nas pequenas pistas deixadas pelas texturas das coisas. Sim, texturas.

A textura de alguma coisa pode dizer muito sobre ela: de que material é feita, quando foi criada, como foi usada e porque podemos vê-la como é. As texturas dos lugares pisados, das paredes tocadas por mãos ou pelo tempo. Asseguradas pela licença poética, texturas vêm em detalhes – indicando o que foi gasto pelo tempo, por passos, pela ação humana. As texturas falam do passado e do presente e algumas das impressões sobre Israel estão nelas reveladas, como se pudessem oferecer a descoberta do mundo pelo tato de uma criança, mas com olhar minucioso.

Lugares antagônicos, que possibilitam impressões ampliadas do antigo e do novo, da fé profunda e da desconfiança, do amor puro e da indiferença velada, de ideias e ideais, de intimidade e de distanciamento.

Embora impregnadas de impressões, ideias e experiências, a percepção de um visitante, de um estranho, de quem não vive o cotidiano de um lugar, nunca se aproximará da percepção e da experiência do espaço vivido. Ainda assim, Israel é uma terra a ser visitada, conhecida e compreendida pois, como já comentado, embora distante de nosso cotidiano, aspectos importantes da cultura israelense tem papel preponderante em nossas vidas.

 

 

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> Universidades são mais antigas que o país
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Intercâmbio - Cresce comércio Israel-Brasil
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Informações Gerais

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> Direitos dos Homossexuais
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> Gerações Esquecidas

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Universidades são mais antigas que o país
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Quando Israel conquistou sua independência, em 1948, já havia 1.600 estudantes matriculados nas suas duas universidades. Hoje, cerca de 154.000 estudantes freqüentam as instituições de ensino superior do país. As principais universidades são:

- Universidade Hebraica de Jerusalém (fundada em 1925), cujas faculdades cobrem praticamente todas as áreas do saber, desde História da Arte até Zoologia, e na qual funciona a Biblioteca Nacional de Israel.

- Universidade de Tel Aviv (fundada em 1956) foi o resultado da incorporação de três instituições existentes, para atender aos residentes na área de Tel Aviv, a região mais populosa do país. Hoje em dia ela é a maior universidade de Israel, oferecendo uma ampla gama de disciplinas e dando ênfase especial à pesquisa pura e aplicada.

- Universidade de Haifa (fundada em 1963) é o centro de ensino superior da região setentrional do país e oferece oportunidades de estudos interdisciplinares; seus centros interdepartamentais, seus institutos e o projeto arquitetônico, do brasileiro Oscar Niemeyer, foram estruturados para facilitar esta abordagem. A universidade tem um departamento para o estudo do kibutz como entidade social e econômica, e um centro dedicado à melhoria da compreensão e cooperação entre judeus e árabes em Israel.

- Universidade Ben-Gurion do Neguev (fundada em 1967) foi estabelecida para servir à população da região meridional de Israel e para estimular o desenvolvimento social e científico da região deserta do país. Ela vem contribuindo grandemente à pesquisa de zonas áridas, e sua escola de medicina foi a pioneira nacional na prática da medicina comunitária.

- Technion - Instituto Tecnológico de Israel (fundado em 1924) formou uma grande parte dos engenheiros, arquitetos e planejadores urbanos do país. Nas últimas décadas, lhe foram acrescentadas faculdades de medicina e ciências biológicas. O Technion funciona como centro de pesquisa pura e aplicada nos campos da ciência e engenharia, contribuindo para o desenvolvimento industrial do país.

- Instituto Weizmann de Ciências (criado em 1934) hoje em dia é um reconhecido centro de pós-graduação e pesquisas em física, química, matemática e ciências biológicas. Seus pesquisadores dedicam-se a projetos destinados a acelerar o desenvolvimento industrial e o estabelecimentos de novos empreendimentos com bases científicas.

 

 

Intercâmbio - Cresce comércio Israel-Brasil
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Chefe do Escritório de Economia da Embaixada de Israel no Brasil, Rona Kotler Ben Aroya nasceu em Tel Aviv, é casada e mãe de um filho nascido em São Paulo. Graduada em Ciências Políticas na Universidade de Tel Aviv e mestre em Administração de Empresas, antes de chegar ao Brasil foi diretora do Departamento de Comércio Exterior da América do Norte no Ministério da Indústria, Comércio e Trabalho de Israel. Nesta entrevista exclusiva, Rona falou das relações comerciais entre Brasil e Israel, da ascensão da economia israelense e dos conflitos com o Líbano.

Como estão as relações comerciais entre Brasil e Israel?
Rona Kotler: O comércio total entre os dois países em 2005 foi de 731 milhões de dólares, um crescimento de 4,3% comparado a 2004. Devido à seca no sul do Brasil, os agricultores brasileiros reduziram em 2005 a quantidade de fertilizantes, pesticidas e herbicidas que compravam de Israel. Como estes são alguns dos principais produtos que Israel exporta para o Brasil, a redução teve efeito negativo nos números de exportação israelense. Em contrapartida, a exportação de produtos químicos cresceu 20%, e de equipamentos eletrônicos e maquinaria cresceu 4%.

Quais os principais produtos importados e exportados, de parte a parte?
Israel exporta principalmente produtos químicos, como fertilizantes, pesticidas e herbicidas, e equipamentos de comunicação (maquinaria, elétrico e ótico), e importa comida e produtos agrícolas, incluindo carne, grãos, soja e concentrados de fruta.

O acordo de comércio de Israel é com o Brasil ou com o Mercosul?
O Mercosul opera como a organização principal, sob a qual os países membros mantêm relações econômicas com países estrangeiros em conjunto. As negociações entre Israel e o Mercosul para firmar um Acordo de uma Área de Livre-Comércio começou em fevereiro. A meta dos dois lados é tentar alcançar um acordo até o final deste ano. O Brasil está tentando agora tirar a presidência do Mercosul da Argentina, e Israel espera que o ritmo das negociações continue rápido. Vemos o potencial de expandir as exportações aos países membros depois que o acordo for assinado.

A vinda de Ehud Olmert ao Brasil, quando ainda era ministro, ajudou no fortalecimento das relações comerciais entre os países?
Um dos melhores sinais de boa atmosfera de negócios entre países é ter visitas mútuas de autoridades e executivos. Em 2005, houve uma tendência positiva tanto no Brasil como em Israel com relação a estas visitas. Ehud Olmert visitou o Brasil a convite do então ministro Luiz Fernando Furlan. A principal meta de Olmert foi fortalecer e aprofundar as alianças políticas e econômicas entre os países. Alguns meses após a visita, o Mercosul anunciou a abertura das negociações com Israel. Olmert, que chegou ao Brasil como o chefe de uma delegação de 15 empresas israelenses, usou a oportunidade também para divulgar suas atividades entre os brasileiros. Ele enfatizou a necessidade de maior participação das companhias israelenses nas propostas governamentais e a importância de diversificação da lista de produtos que são comercializadas entre os dois países. Olmert também sugeriu estabelecer um fundo entre Israel e Brasil para pesquisa conjunta e desenvolvimento em produtos industrializados. Este fundo pode possibilitar ambos os lados cooperarem em áreas como telecomunicação e software, agricultura e agrotecnologia, tratamento de água, equipamentos médicos, de segurança, entre outras.

Está prevista mais alguma visita ou alguma ação para incrementar a relação dos dois países?
Continuamos na organização de visitas mútuas das duas indústrias, em Israel e no Brasil, participamos das maiores feiras e eventos nos dois países. Também continuamos a desenvolver novas atividades que irão promover o comércio bilateral com total cooperação de entidades como Fiesp, Firjan, Apex, Ciesp, Inmetro e, claro, da comunidade judaica daqui.. Eu coloco o Escritório de Economia de Israel no Brasil a disposição de qualquer empreendedor, companhia ou instituição que esteja interessado em criar contato comercial com Israel ou fortalecer os contatos comerciais que já possuem.

Qual o potencial dessa relação?
Quando for assinado, o Acordo da Área de Livre Comércio entre Israel e o Mercosul irá alargar e estender a faixa de comércio entre os países. Israel é um pequeno país com quase nenhum recurso natural e é o segundo maior importador do Oriente Médio. A economia israelense e a brasileira se complementam. Produtos que Israel normalmente compra de outros países pode comprar do Brasil, como produtos têxteis, grãos, óleos e gorduras animais e vegetais, açúcar, frutas, castanhas, fumo, produtos minerais, combustível, entre outros. Israel é o país líder em pesquisa e desenvolvimento e alta tecnologia em vários setores, como: agrotecnologia, telecomunicações, IT, software, produtos de biociência e tecnologias. Para esses produtos há um grande potencial no mercado brasileiro. Após assinar o acordo com co Mercosul, Israel espera aumentar suas exportações para região em 40% até o final da década.

Quais são seus principais pilares da economia israelense hoje?
A economia israelense está em boas condições e continua expandir, tanto em produtos manufaturados como em serviços. O crescimento em 2005 foi de 5,2%. O emprego está crescendo, fazendo o desemprego diminuir para menos de 9%. A produção industrial tem crescido. Os investimentos externos alcançaram um nível recorde de mais de 6 bilhões de dólares. O mercado financeiro está crescendo em uma taxa satisfatória, e percebemos expansão de atividades em diversos setores da economia. Estamos muito orgulhosos do negócio assinado pela venda da companhia israelense Iscar, um marco da economia do país. Esperamos que esse negócio abra caminho para transações similares no futuro. A previsão conservadora da economia de Israel para 2006 é de uma taxa de crescimento de 3,9%, com crescimento de 2,2% da renda per capita. Os industriais e empresários israelenses lideram os campos de eletro-ótica, aplicativos avançados de software, nanotecnologia, tecnologia bélica, segurança doméstica e aplicativos múltiplos de telecomunicações. Israel oferece uma qualidade única em mão-de-obra, em especial engenheiros, físicos e cientistas da computação, com capacidade comprovada de desenvolvimento e adaptação.

O acirramento dos conflitos com os palestinos tem influenciado de alguma forma na economia?
No passado, a agitação geopolítica realmente afetou a economia israelense e prejudicou principalmente o turismo, os setores de construção e vimos uma diminuição dos investimentos estrangeiros diretos. Embora o Estado de Israel tenha enfrentado muitos desafios e mudanças regionais, sua economia permaneceu robusta. O compromisso do governo israelense com a estabilidade regional vai continuar e esperamos que, apesar da instabilidade política atual, a economia permaneça forte e estável e mantenha seu rápido crescimento.

Como a senhora vê o conflito na região?
Israel tem de oferecer resistência a esses eixos de terror e ódio, criados pelo Irã, Síria, Hezbollah e Hamas, que querem acabar com toda esperança de paz na região. O Hezbollah é uma organização terrorista, que faz parte do governo libanês. A comunidade internacional, incluindo o Conselho de Segurança, exigiu várias vezes que o governo libanês acabasse com o Hezbollah. O Líbano falhou e o resultado é a violência de hoje. Israel vê o governo do Líbano como responsável pela atual violência não-provocada. Nessas circunstâncias, Israel não tem alternativa a não ser se defender. Esperamos também que a comunidade internacional tome atitudes. Vamos devolver os ataques para lutar pela paz.

Como é, na prática, de forma resumida, seu trabalho no consulado israelense?
O Escritório Econômico de Israel no Brasil, o qual chefio, é responsável por encorajar, facilitar e promover o comércio bilateral entre Israel e Brasil e também responsável por criar joint ventures entre as indústrias brasileiras e israelenses. Desde de que cheguei no Brasil, em outubro de 2004, vi o Acordo para Prevenção de Cobrança Dupla de Impostos entrar em vigor; o início da negociação a respeito de uma Área de Livre Comércio com o Mercosul e consolidadas as bases sobre um acordo de pesquisa e desenvolvimento entre Brasil e Israel. Todas esses conquistas possibilitam a nós aumentar nossa cooperação com a indústria brasileira e ampliar a presença de Israel no Brasil. Estou certa de que devemos esperar um crescimento maior no futuro. Estou fascinada com este lugar, pessoal e profissionalmente.

Existe um incentivo para quem quer investir em Israel?
O Estado de Israel atrai investimentos e negócios graças a sua infra-estrutura moderna, tratados de impostos no mundo inteiro (com o Brasil, Israel possui um Tratado de Prevenção de Cobrança Dupla de Impostos), institutos de pesquisa excelentes e um setor jurídico e financeiro sofisticado. Podemos guiar o investidor no processo de tomada de decisão, encontrar parceiros adequados em Israel, servir como recurso para informações econômicas e podemos fornecer briefing customizado. Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para convidar investidores brasileiros em potencial a entrar em contato com o Escritório Econômico de Israel no Brasil.


Por Daniel Waismann / Tribuna Judaica

 

 

INFORMAÇÕES GERAIS
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Introdução

... uma terra onde abundam o leite e o mel... (Exodus 3:8)

Israel é um pequeno e estreito país semi-árido, situado na costa sudeste do Mar Mediterrâneo. Ele entrou para a história há cerca de 35 séculos, quando o povo judeu abandonou a vida nômade, estabeleceu-se nesta terra e tornou-se uma nação. No correr dos anos, o país recebeu diferentes nomes - Eretz Israel (Terra de Israel); Sion, nome de uma das colinas de Jerusalém, que tornou-se o sinônimo tanto da cidade quanto de toda a Terra de Israel; Palestina, derivado de Palaestina, usado pela primeira vez pelos romanos; a Terra Prometida; e Terra Santa, etc... Contudo, para a maioria dos israelenses o país é simplesmente Haaretz - a Terra. Mais de 5,5 milhões de pessoas vivem hoje em dia em Israel. Cerca de 4,5 milhões são judeus; e a maioria dentre o milhão sobressalente se constitui de árabes. O país se caracteriza por um amplo espectro de estilos de vida, variando do religioso ao secular, do moderno ao tradicional, urbano e rural, comunal e individual.

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Geografia e Clima

A área de Israel, dentro das fronteiras e linhas de cessar-fogo, inclusive os territórios sob o auto-governo palestino, é de 27.800 km2. Com sua forma longa e estreita, o país tem cerca de 470 km de comprimento e mede 135 km em seu ponto mais largo. Limita-se com o Líbano ao norte, a Síria a nordeste, a Jordânia a leste, o Egito a sudoeste e o Mar Mediterrâneo a oeste.

A distância entre montanhas e planícies, campos férteis e desertos, pode ser coberta em poucos minutos. A largura do país, entre o Mar Mediterrâneo a oeste e o Mar Morto, a leste, pode ser cruzada de carro em cerca de 90 minutos; e a viagem desde Metula, no extremo norte, a Eilat, o ponto mais meridional, leva umas seis horas.


Aspectos Geográficos:

Israel pode ser dividido em quatro regiões geográficas: três faixas paralelas que correm de norte a sul e uma vasta zona, quase toda árida, na metade sul do país.

A planície costeira paralela ao Mediterrâneo, é formada por uma faixa arenosa junto ao mar, flanqueada por terrenos férteis que avançam até 40 km em direção ao interior do país. No norte, extensões de praia arenosa são às vezes pontuadas por calcário entalhado e rochedos de arenito. Na planície costeira vive mais da metade dos 5,5 milhões de habitantes de Israel e nela se situam os principais centros urbanos, portos para navios de grande calado, a maior parte da indústria do país e grande parte de sua agricultura e instalações turísticas.

Várias cadeias de montanhas acompanham o comprimento do país. No nordeste encontra-se o Planalto do Golan, com suas rochas de basalto, testemunhas de erupções vulcânicas no passado distante, que se ergue como uma parede íngreme a contemplar o Vale do Hula. As montanhas da Galiléia, em sua maioria compostas de rocha calcárea branda e dolomita, atingem altitudes entre 500 e 1.200 m acima do nível do mar. Pequenos córregos perenes e um índice pluviométrico relativamente elevado mantêm a cor verde da região durante todo o ano. Os habitantes da Galiléia e do Golan, cerca de 17% da população de Israel, trabalham sobretudo em agricultura, atividades turísticas e indústria leve.

O Vale do Jezreel, entre as montanhas da Galiléia e da Samaria, é a região agrícola mais rica de Israel, cultivado por muitas comunidades cooperativas (kibutzim e moshavim). As colinas arredondadas da Samaria e Judéia apresentam um mosaico de cumes rochosos e vales férteis, pontilhados de pomares de velhas oliveiras verde-prata. As encostas aterraçadas, lavradas por agricultores em tempos imemoriais, incorporaram-se à paisagem natural. A população se concentra principalmente em pequenos centros urbanos e grandes aldeias.

O Neguev, que constitui cerca da metade da superfície de Israel, é habitado apenas por 8% da população, concentrada em sua região setentrional. A economia se baseia sobretudo em agricultura e indústria. Mais para o sul, o Neguev se torna uma zona árida, caracterizada por pequenas colinas e planícies de arenito, cortadas por várias gargantas e wadis, nos quais as chuvas hibernais causam freqüentemente súbitas torrentes. Prosseguindo para o sul, a paisagem dá lugar a uma área de cumes rochosos desnudos, crateras, elevados platôs de clima seco e altas montanhas. Três crateras erosivas, a maior das quais com 8 km de largura e 35 km de comprimento, cortam profundamente a crosta terrestre, apresentando rica variedade de cores e tipos de rochas. Na ponta sul do Neguev, próximo a Eilat e ao Mar Vermelho, agudas elevações de granito cinza e vermelho são cortadas por gargantas secas e rochedos íngremes, cujas camadas de arenito resplandecem à luz do sol.

O Vale do Jordão e o Aravá, que acompanham o comprimento do país na fronteira oriental, são parte da Fenda Sírio-Africana, que dividiu a crosta terrestre há milhões de anos. Sua área setentrional é extremamente fértil, ao passo que o sul é semi-árido. Agricultura, pesca, indústria leve e turismo são as principais atividades econômicas da região. O Rio Jordão, que corre de norte a sul através desta fenda, desce mais de 700 m no seu curso de 300 km. Alimentado por regatos que descem do Monte Hermon, ele atravessa o fértil vale do Hula até o Lago Kineret (Mar da Galiléia), continuando a serpentear através do vale do Jordão até desembocar no Mar Morto. Embora se avolume durante a estação chuvosa no inverno, o rio é, de modo geral, estreito e pouco profundo.

O Lago Kineret, aninhado entre as montanhas da Galiléia e o Planalto do Golan, situa-se a 212 m abaixo do nível do mar, tendo 8 km de largura e 21 km de comprimento. É o maior lago de Israel e seu principal reservatório de água potável. Ao longo da costa do Kineret há locais de importância histórica e religiosa, assim como colônias agrícolas, empresas de pesca e pontos de atração turística.

O Aravá, a savana de Israel, inicia-se ao sul do Mar Morto e se estende até o Golfo de Eilat. Apesar de suas condições climáticas - um índice pluviométrico médio de menos de 25 mm e temperaturas que chegam a 40ø no verão - aí são cultivadas frutas e verduras fora da estação, sobretudo para exportação, graças ao uso de sofisticadas técnicas agrícolas. O Golfo sub-tropical de Eilat é famoso por suas águas azuis profundas, seus recifes de coral e a exótica fauna marítima.

O Mar Morto
O ponto mais baixo da Terra, cerca de 400 m abaixo do nível do mar, situa-se ao sul do Vale do Jordão. Suas águas, que têm o mais alto grau de salinidade e densidade do mundo, são ricas em potássio, magnésio e bromo, assim como em sal de cozinha e sais industriais. O ritmo natural de recuo do Mar Morto acelerou-se nos últimos anos, devido a uma taxa muito alta de evaporação (1,6 m por ano), e a vários projetos de desvio em alta-escala realizados por Israel e pela Jordânia, para atender às suas necessidades de água, o que causou a redução de 75% da descarga de água. Em conseqüência, o nível do Mar Morto baixou em cerca de 10,6 m desde 1960. Um projeto de ligação do Mar Morto com o Mar Mediterrâneo através de um canal e sistema de tubulação, que poderá devolver ao Mar Morto suas dimensões e nível naturais, está sendo considerado.

Clima
O clima de Israel varia do temperado ao tropical, com muito sol. Há duas estações distintas predominantes: o inverno chuvoso, de novembro a maio, e um verão seco nos seis outros meses. As chuvas são relativamente abundantes no norte e centro do país, bem mais raras no norte do Neguev e quase inexistentes no extremo sul. As condições regionais são bastante variadas, com verões úmidos e invernos amenos na região costeira; verões secos e invernos moderadamente frios nas montanhas; verões quentes e secos e invernos agradáveis no Vale do Jordão; e condições de clima semi-desértico o ano todo no Neguev. A situação do clima varia desde a neve ocasional nas regiões elevadas, no inverno, a dias de temperatura extremamente alta, por causa de ventos secos e quentes, que sopram periodicamente no outono e primavera.

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Natureza

A Flora e a Fauna
A vida animal e vegetal de Israel é rica e diversificada, em parte devido à localização geográfica do país, na junção de três continentes. Mais de 2.800 tipos de plantas foram identificados, desde espécies alpinas nas encostas das montanhas setentrionais a espécies do Sahara, na Aravá, ao sul. Israel é o ponto extremo setentrional para a presença de plantas como o papiro e o limite meridional de outras, como a peônia vermelho-coral brilhante.

Florestas naturais, principalmente de carvalhos, cobrem partes da Galiléia, do Monte Carmel e de outra regiões montanhosas. Na primavera, cistos baixos e giestas espinhosas predominam, com suas variações de branco, rosa e amarelo.


Madressilvas trepam sobre os arbustos e grandes plátanos proporcionam sombra ao longo dos córregos de água fresca da Galiléia. Nos planaltos do Neguev, massivas pistaceiras atlânticas acrescentam uma nota espetacular ao longo dos leitos dos rios secos, e tamareiras crescem onde quer que haja bastante água subterrânea.

Muitas flores cultivadas, como a íris, a açucena, a tulipa e o jacinto são aparentadas a algumas das flores silvestres de Israel. Imediatamente após as primeiras chuvas, em outubro-novembro, o país se cobre de um tapete verde que dura até a chegada do verão seco. Ciclames brancos ou côr-de-rosa e anêmonas vermelhas, brancas e côr-de-púrpura florescem de dezembro a março; as tremoceiras azuis e as margaridas amarelas surgem pouco depois. Muitas das plantas nativas, como o açafrão e a cila, são litófilas, isto é, armazenam seus nutrientes em bulbos ou tubérculos, e florescem no fim do verão. Pairando sobre os campos, há cerca de 135 variedades de borboletas, de matizes e padrões brilhantes.

Mais de 380 espécies diferentes de pássaros podem ser vistas em Israel. Algumas, como o rouxinol oriental comum, residem permanentemente no país; outros, como o galeirão e o estorninho, passam aqui o inverno, regalando-se com o alimento encontrado nos campos e lagos piscosos. Centenas de milhares de pássaros atravessam Israel duas vezes por ano, em suas migrações, fornecendo excelentes oportunidades aos ornitólogos. Bútios, pelicanos e outras aves migratórias, grandes e pequenas, enchem os céus do país em março e outubro. Várias espécies de aves de rapina, como águias, falcões e gaviões, assim como minúsculos pássaros canoros, como a toutinegra e o pintassilgo, nidificam em Israel.

Delicadas gazelas correm sobre as colinas; raposas, gatos selvagens e outros mamíferos vivem nos bosques. Cabritos monteses da Núbia de chifres majestosos saltam sobre os rochedos no deserto; e camaleões, cobras e lagartos de todos os tipos contam-se entre as 80 espécies nativas de répteis.

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Infra-Estrutura
Comunicações: Israel está ligado às principais redes mundiais de dados comerciais, financeiros e acadêmicos e está totalmente integrado aos sistemas de comunicação internacionais, por cabos submarinos e satélites. Serviços telefônicos, de telex, de correio eletrônico e de fax podem ser obtidos em todo o país, proporcionando rápidos meios de comunicação dentro do país e com o resto do mundo. Os serviços postais operam em todo o país, ligando-o a quase todos os países do mundo.

O Serviço Filatélico já emitiu mais de 1.200 selos. Muitos conhecidos artistas israelenses projetaram estes 'cartões de visita' do país, alguns dos quais já são considerados clássicos e avidamente procurados por colecionadores.


Rodovias: Num país de curtas distâncias como Israel, os automóveis, ônibus e caminhões são os principais meios de transporte. Nos últimos anos, a rede rodoviária foi enormemente ampliada e melhorada, para adaptar-se ao rápido aumento do número de veículos, assim como para tornar acessível a mais remota comunicação. Atualmente está sendo construída uma auto-estrada de várias pistas, de quase 300 km, a se iniciar em Beer Sheva, no sul, ramificando-se até Rosh Hanikrá e Rosh Pina no norte. Esta estrada, para a qual se deverá pagar pedágio, tornará possível contornar as áreas densamente povoadas, aliviando os congestionamentos de trânsito e possibilitando um mais fácil acesso à maioria das regiões do país.

Ferrovias: A Companhia Ferroviária de Israel opera serviços de passageiros entre Jerusalém, Tel Aviv, Haifa e Naharia. Transportes de carga também operam no sul, servindo o porto de Ashkelon, as cidades de Ashkelon e Beer Sheva e as minas ao sul de Dimona. Nos últimos anos, vem aumentando o uso do transporte ferroviário, tanto de passageiros como de carga. Para ajudar a reduzir os problemas causados pela intensificação do tráfego rodoviário, funcionam nas áreas de Tel Aviv e Haifa serviços rápidos de transportes de passageiros, utilizando as linhas férreas existentes, operados em coordenação com linhas de ônibus. Muitos vagões obsoletos ainda em uso estão sendo substituídos por outros mais modernos, com ar condicionado, e equipamento moderno de manutenção mecânica está sendo posto em operação.

Portos marítimos: Os antigos portos de Iafo, Cesaréia e Acre (Aco) foram substituídos por três portos modernos de grande calado, em Haifa, Eilat e Ashdod, que servem à navegação internacional. Haifa é, atualmente, um dos maiores portos mediterrâneos para navios de carga, assim como um movimentado terminal de passageiros. O de Ashdod é usado sobretudo para mercadorias e Eilat, no Mar Vermelho, liga Israel ao hemisfério sul e ao Extremo Oriente. Além disso, há um porto para navios-tanque em Ashkelon, e em Hadera funciona um equipamento moderno de descarga direta para cargueiros que abastecem de carvão a usina elétrica próxima.

Reconhecendo que a localização geográfica de Israel o transforma potencialmente em país de trânsito para passageiros e mercadorias em travessia da região, a Autarquia de Portos e Ferrovias delineou um plano-mestre de longo termo para fazer frente às necessidades futuras. Entre outras prioridades, ele prevê o desenvolvimento de um moderno sistema ferroviário, a instalação do equipamento mais moderno possível em cada fase de suas operações terrestres e marítimas e a criação de sistemas computadorizados para o controle e supervisão de todos os seus serviços.

Aeroportos: O Aeroporto Internacional Ben-Gurion (25 minutos de carro de Tel Aviv e 50 minutos de Jerusalém) é o maior e mais importante terminal aéreo do país. Em virtude do rápido aumento do número de chegadas e partidas de passageiros, o aeroporto foi recentemente ampliado. Vôos tipo charter, sobretudo da Europa, e viagens domésticas também aterrisam no aeroporto de Eilat, ao sul, e em pequenos aeroportos situados nas proximidades de Tel Aviv e Jerusalém, no centro do país, e em Rosh Pina, no norte.

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Vida Urbana
Mais de 90% dos israelenses vivem em centros urbanos. Várias cidades modernas, onde se misturam o antigo e o novo, estão construídas em locais conhecidos desde a antigüidade, como Jerusalém, Safed, Beer Sheva, Tiberíades e Aco. Outras, tais como Rechovot, Hadera, Petach Tikva e Rishon Letzion eram aldeias agrícolas na época anterior à independência e tornaram-se gradualmente importantes centros populacionais. Cidades em desenvolvimento, como Carmiel e Kiriat Gat, foram construídas nos primeiros anos da criação do estado para atender ao rápido crescimento populacional gerado pela imigração em massa, assim como para melhor distribuir a população por todo o país, e promover a integração econômica rural e urbana, atraindo indústrias e serviços a áreas até então despovoadas.


Principais Cidades
Jerusalém, situada nas Colinas da Judéia, é a capital de Israel, a sede do governo e o centro histórico, espiritual e nacional do povo judeu desde que o Rei David fê-la capital de seu reino há 3.000 anos atrás. Santificada pela religião e a tradição, pelos Lugares Santos e santuários, ela é reverenciada por judeus, cristãos e muçulmanos de todo o mundo.

Até 1860, Jerusalém era uma cidade murada, formada por quatro quarteirões - judeu, muçulmano, armênio e cristão. Naquela época, os judeus, que constituíam a maioria da população da cidade, começaram a construir novos bairros fora dos limites da muralha, formando o núcleo da Jerusalém moderna. Durante a administração britânica (1918-48), ela gradualmente se transformou, e a cidadezinha provincial abandonada da época do Império Otomano (1518-1918) tornou-se uma florescente metrópole, com novos bairros residenciais, cada um refletindo o caráter do grupo específico que nele vivia. Após o ataque árabe conjunto desfechado contra o recém-fundado Estado de Israel, a cidade ficou dividida, sendo administrada por Israel e a Jordânia; durante 19 anos uma parte estava hermeticamente separada da outra por muros de concreto e arame farpado. Após o ataque a Jerusalém, desencadeado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a cidade foi reunificada.

Jerusalém, hoje a maior cidade de Israel, conta com mais de meio milhão de habitantes. Ao mesmo tempo antiga e moderna, é uma cidade de diversidades, e seus habitantes representam uma mistura de culturas e nacionalidades e de estilos de vida que vão desde o estritamente religioso ao secular. É uma cidade que preserva seu passado e constrói para o futuro, com locais históricos cuidadosamente restaurados, áreas de paisagem verde, zonas comerciais modernas, parques industriais e bairros em expansão, que atestam sua continuidade e vitalidade.

Tel Aviv-Iafo, cidade moderna na costa mediterrânea, é o centro comercial e financeiro de Israel, assim como o foco de sua vida cultural. Nela estão sediadas as mais importantes organizações industriais e agrícolas, a Bolsa de Valores, os principais jornais, periódicos e editoras. Tel Aviv, a primeira cidade exclusivamente judaica dos tempos modernos, foi fundada em 1909 como um subúrbio de Iafo, uma das mais antigas cidades do mundo. Em 1934 Tel Aviv foi elevada à categoria de município e, em 1950, foi fundida com Iafo, absorvendo a antiga cidade. A área em torno do antigo porto de Iafo (Jafa) tornou-se uma colônia de artistas e um centro turístico, com galerias, restaurantes e clubes noturnos.

Haifa, na costa do Mediterrâneo, sobe pelas encostas do Monte Carmel. Foi construída em três níveis topográficos: a cidade baixa, cujos terrenos foram parcialmente recuperados do mar, é o centro comercial e a zona portuária; o nível intermediário é a área residencial antiga; e o nível mais elevado consiste de bairros modernos em rápida expansão, com ruas arborizadas, parques e bosques de pinheiros, que contemplam a zona industrial e as praias da ampla baía lá embaixo. Importante porto de grande calado, Haifa é um foco de comércio internacional, além de ser o centro administrativo da região norte de Israel.

Safed, aninhada entre as montanhas da Galiléia, é um local popular de férias de verão e centro turístico, com um quarteirão de artistas e várias sinagogas centenárias. No século XVI, Safed era o mais importante centro de criatividade e de estudos judaicos - ponto de encontro de rabinos, eruditos e místicos que estabeleceram leis e preceitos religiosos, muitos dos quais seguidos até hoje pelos judeus observantes.

Tiberíades, às margens do lago Kineret, é famosa por suas fontes termais medicinais. Hoje em dia a cidade é um movimentado centro turístico, onde vestígios arqueológicos do passado misturam-se a modernos edifícios e hotéis. Fundada no século I, a cidade deve seu nome ao imperador romano Tibério. Mais tarde, tornou-se um centro de erudição judaica e a sede de uma academia rabínica famosa.

Beer Sheva, no norte do Neguev, situa-se na interseção das estradas que levam ao Mar Morto e a Eilat. É uma cidade nova construída num local já conhecido no tempo dos Patriarcas, há 3.500 anos atrás. Chamada 'a capital do Neguev', Beer Sheva é um centro administrativo e econômico, sede de repartições governamentais regionais e instituições de saúde, educação e cultura que prestam serviços a toda a região sul do país.

Eilat a cidade mais meridional do país, é a saída de Israel para o Mar Vermelho e o Oceano êndico. Seu porto moderno, que se acredita estar localizado onde se erguia o antigo porto no tempo do Rei Salomão, é a via comercial de Israel com a África e o Extremo Oriente. Seus invernos cálidos, um espetacular cenário submarino, as belas praias, os esportes aquáticos, seus luxuosos hotéis e a facilidade de acesso da Europa através de vôos charter fazem de Eilat uma próspera cidade turística durante todo o ano. Desde o estabelecimento da paz entre Israel e a Jordânia (1994), foram iniciados projetos conjuntos de desenvolvimento com a cidade vizinha Ácaba, para incrementar o turismo na região.

Arquitetura através dos tempos

O estilo de construção urbana de Israel é imensamente variado, com estruturas dos séculos passados, sólidos edifícios inspirados por renomados arquitetos europeus da época anterior à 2a Guerra Mundial e blocos de apartamentos construídos às pressas durante os primeiros anos do estado, a fim de atender às necessidades de moradia dos novos imigrantes; e a seu lado, bairros residenciais cuidadosamente planejados, arranha-céus de concreto e vidro que abrigam escritórios e luxuosos hotéis, construídos nas duas últimas décadas.


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Vida Rural
Cerca de 9% da população de Israel vive em áreas rurais, tanto em aldeias como em dois tipos de colônias agrícolas cooperativas singulares, o kibutz e o moshav, que se desenvolveram no país no início do século XX. As aldeias de vários tamanhos são habitadas principalmente por árabes e drusos, que representam um sexto da população rural de Israel. As terras e casas são propriedades privadas, e os agricultores cultivam e comercializam seus produtos individualmente. Os árabes beduínos do Neguev, anteriormente nômades, constituem uma minoria dentro do setor árabe (70.000 pessoas) e vêm passando por um processo de urbanização, refletindo a transição de uma sociedade tradicional para um estilo de vida moderno e sedentário.

O kibutz é uma unidade sócio-econômica autônoma, na qual as decisões são tomadas pela assembléia geral de seus membros, sendo os bens e os meios de produção de propriedade coletiva. Hoje em dia, aproximadamente 2,3% da população do país vive em cerca de 270 kibutzim. Os membros trabalham nos diferentes ramos da economia kibutziana; as crianças passam grande parte das horas do dia com seus companheiros de idade, desde a mais tenra infância até o fim da escola de 2ø grau, em marcos estruturados. Tradicionalmente a espinha dorsal da agricultura de Israel, os kibutzim produzem atualmente 33% da produção agrícola do país; dedicam-se também à indústria, turismo e serviços.

O moshav é uma colônia rural na qual cada família é proprietária de seu próprio campo e residência. No passado, a cooperação estendia-se às compras e comercialização conjunta; hoje em dia os membros dos moshavim preferem ser mais independentes economicamente. Cerca de 450 moshavim, com uma média de 60 famílias cada um (3,1% da população), fornecem uma boa parte da produção agrícola de Israel.

O ishuv kehilati (é uma nova forma de comunidade rural, e em cada um dos 50-60 já existentes vivem centenas de famílias. Embora a vida econômica de cada família seja completamente independente, e a maioria dos membros trabalhe fora da comunidade, o nível de participação voluntária dos membros na vida comunitária é muito alto. A instituição central de administração é a assembléia geral, composta pelos chefes de cada família, que estabelece e aprova o orçamento comunitário em sua reunião anual. Além dos comitês de gerência e de fiscalização, grupos de trabalho dedicam-se a assuntos como educação, cultura, juventude, finanças e outros. Um secretariado pago administra os assuntos diários de acordo com as decisões dos órgãos eleitos. Novos membros são aceitos somente se aprovados pela comunidade.

POPULAÇÃO ÁRABE
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Israel é o lar de uma população muito diversificada, com os mais variados antecedentes étnicos, religiosos, culturais e sociais. De seus mais de 6 milhões habitantes, 79,8% são judeus (mais da metade nascidos no país, os demais provenientes de cerca de 70 países de todo o mundo), 16,8% são árabes (em sua maioria muçulmanos) e os restantes 1,7% incluem drusos, circassianos e outras não classificadas segundo a religião.

A Declaração de Independência do Estado de Israel (1948) garante a liberdade de crença a toda a população. Todas as comunidades religiosas são livres, por lei e na prática, para exercer sua fé, observar seus feriados e dia semanal de descanso, e administrar seus assuntos internos. Cada comunidade tem seu próprio conselho religioso e seus próprios tribunais, reconhecidos por lei e com jurisdição sobre todas as questões religiosas e assuntos de âmbito pessoal, como casamento e divórcio. Cada uma tem seus lugares especiais de culto, com os ritos tradicionais e formas arquitetônicas singulares, desenvolvidas através dos séculos.

Sendo assim, os árabes-israelenses gozam dos mesmos direitos civís e políticos de toda a população. Nenhum outro país do Oriente Médio concede tamanha liberdade e direitos às suas sociedades minoritárias.
Os cidadãos árabes-israelenses são representados em todos os setores sociais e políticos, incluíndo o Knesset (parlamento de Israel), o Supremo Tribunal Federal e as Univesidades.

O árabe, assim como o hebráico, é língua oficial de Israel. Na arena política, os cidadãos árabes-israelenses, homens e mulheres, têm o direito de votar. Há, atualmente, 9 deputados árabes e 2 deputados druzos no Knesset.

A população árabe-israelense se divide nos seguintes grupos:

- Árabes muçulmanos - Há quase 1 milhão cidadãos árabes muçulmanos em Israel.

- Beduínos - Os beduínos se dividem em 30 tribos, a maioria vivendo no Sul do país. Esta sociedade está passando por um período de transição de uma estrutura social tribal nômade a uma sociedade estabelecida, que vem se incorporando a força de trabalho de Israel. Estima-se que o número de beduínos chegue a 170.000 cidadãos, seguidores da religião muçulmana.

- Árabes Cristãos - Cerca de 113.000 cidadãos israelenses são árabes Cristãos. Vivem principalmente em áreas urbanas como Haifa, Nazaré e Shfaram.

Druzos - Somando 106.000 cidadãos, os druzos vivem, predominantemente, em 22 vilas ao Norte de Israel. Constituem uma comunidade cultural, social e religiosa independente. Um aspecto sabido de sua filosofia é o conceito do taqiyya, que significa lealdade ao governo do país em que vivem.

 

 

DIREITOS DAS MULHERES
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O Estado de Israel foi fundado sobre o princípio de igualdade de direitos políticos e sociais para todos os seus cidadãos. A declaração de independência de Israel foi uma das primeiras a incluir o sexo como grupo de classificação para o propósito de direitos iguais, declarando: "O Estado de Israel vai manter a igualdade de direitos sociais e políticos para todos os cidadãos, independentemente da religião, da raça e do sexo."

O primeiro esforço legislativo significativo para implementar o princípio de igualdade de gêneros foi a promulgação da Lei dos Direitos Iguais das Mulheres, de 1951. A lei iguala o status legal da mulher ao do homem e proíbe a discriminação quanto ao sexo. Entretanto, como um estatuto ordinário, a lei não tem qualquer peso constitucional e qualquer estatuto subseqüente prevalece sobre ela. Além disso, a lei se aplica principalmente à esfera pública e não cobre todos os campos relacionados aos direitos da mulher. Apesar desses problemas, a lei foi usada como uma ferramenta de interpretação pela Suprema Corte no papel desta como Corte Superior de Justiça para introduzir uma ampla variedade de igualdade de direitos para a mulher.

Outra peça-chave da legislação é a Lei de Igualdade de Oportunidades de Emprego, de 1988, que proíbe todos os tipos de discriminação no ambiente de trabalho. Essa lei reconhece o assédio sexual como uma forma de discriminação no ambiente de trabalho, e está sujeita a sanções civis e criminais. O primeiro passo para a implementação dessa lei foi estabelecer, em março de 1998, a "Autoridade para o Progresso da Mulher". Adotada por representantes dos ministérios do Governo, ONGs e especialistas acadêmicos, a Autoridade fiscaliza o cumprimento governamental da política cujo objetivo é o progresso da posição social da mulher; recebe queixas; reforça a igualdade de salários para as mulheres; presta assistência nos negócios e carreiras da mulher, incentivando a nomeação da mulher para altos cargos.

A Lei Israelense Contra Assédio Sexual, de 1998, representa uma das mais avançadas questões da legislação nesse campo. Proíbe o assédio sexual (que é definido de forma ampla) e o tratamento prejudicial em um amplo espectro de situações envolvendo relações de poder e dependência.

A consciência constante da posição da mulher tem se manifestado numa presença crescente do sexo feminino em cargos de gerência e de tomada de decisão. Nos últimos anos foram registrados números recordes de mulheres em altos cargos. Cinco mulheres agora atuam como juízas da Suprema Corte, de um total de 12 juízes.

Servir nas Forças de Defesa de Israel é obrigatório para homens e mulheres – mulheres servem durante 24 meses e homens, durante 36 meses. Tem-se debatido bastante sobre se as mulheres devem ou não servir em unidades de combate. Em 1994, a Suprema Corte apoiou a petição apresentada por uma mulher prestando serviço militar, na qual permitiu se alistar na força aérea visando o treinamento como piloto. Seguindo essa decisão, a Lei de Serviço de Defesa recebeu uma emenda para permitir que as mulheres prestando serviço militar freqüentassem a Escola de Aviação. Em 2001, a primeiro piloto de combate feminino se formou na Escola de Aviação da Força Aérea Israelense.

 

 

DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS
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Israel é atualmente um dos países mais avançados em termos de igualdade para as minorias sexuais. Recentemente, Israel promulgou mais leis e decisões judiciais progressistas nas áreas de orientação sexual e de direitos para gays e lésbicas do que muitos países ocidentais. Israel possui uma comunidade gay ativa e é de longe um dos países mais tolerantes com homossexuais do Oriente Médio.

Política, legal e culturalmente a comunidade homossexual tem deixado uma vida à margem da sociedade israelense para uma visibilidade e crescente aceitação. Como é freqüente nos casos de batalhas pela justiça social e a igualdade, as mudanças ocorrem em decorrência de uma combinação de fatores políticos, legais e sociais.

Datas marcantes e evolução:

1988 - Knesset descriminaliza o homossexualismo

1992 - Knesset proíbe a discriminação por orientação sexual nos locais de trabalho

Em 1992, a Lei de Igualdade de Oportunidades de Emprego de 1988 foi revisada com o intuito de proibir a discriminação nas relações trabalhistas com base na orientação sexual e no estado civil. O não-cumprimento da lei resulta em responsabilidade penal e a vítima ainda tem o direito de buscar ações cíveis (incluindo penas indenizatórias). Esse aperfeiçoamento é visto como um grande passo em direção ao reconhecimento de homossexuais e bissexuais como membros da sociedade.

1993 - Knesset estabelece subcomissão específica

1993 - As forças armadas israelenses abolem regulamentos discriminatórios contra as minorias sexuais

A política oficial agora determina que a orientação sexual não deve mais ser usada como argumento para impedir o acesso de soldados a informações especiais ou de tarefas que exijam acesso a tais informações. Homossexuais estão sujeitos ao mesmo nível de scrutiny para cargos como todos os outros candidatos, e casos de possíveis riscos de segurança são avaliados individualmente.

1994 - A Suprema Corte reconhece os direitos de parceiros de mesmo sexo aos benefícios no setor privado.

Em novembro de 1994, a Suprema Corte tomou uma decisão histórica, concedendo direitos iguais a parceiros do mesmo sexo. No caso El-Al versus Danilowitz, o reclamante contestou a política nacional das companhias aéreas, que garantiam passagens gratuitas para parceiros de sexos opostos aos dos empregados, mas não para parceiros do mesmo sexo. A Suprema Corte israelense declarou que essa era uma política discriminatória com base na orientação sexual.

1997 - Benefício a parceiros de mesmo sexo são estendidos ao setor público.

A Corte de Tel Aviv, que funciona como comitê de apelação das forças armadas israelenses, ordenou que Adir Steiner fosse reconhecido como cônjuge do Coronel Doron Maselum, que havia falecido, e que lhe fossem concedidos os mesmos benefícios dados às viúvas de militares. O casal viveu junto por vários anos, compartilhando as finanças, e foi reconhecido em público como casal. A Corte estabeleceu que a política das forças armadas, segundo a qual apenas casais heterossexuais estariam aptos a receber benefícios, era discriminatória.
Essa decisão foi vista como mais uma consequência da decisão Danilowitz, que envolveu um contrato privado entre uma companhia comercial e um indivíduo. O caso Steiner, por outro lado, teve desdobramentos em todo o setor público.

2000 - Reconhecimento de parceiros de mesmo sexo como pais e mães adotivos

A Suprema Corte reconheceu uma lésbica como mãe adotiva de uma criança de quatro anos, filha de sua parceira, e determinou que o Ministério do Interior registrasse a adoção. Assim, a criança foi registrada como tendo duas mães.
Casais formados por parceiros de mesmo sexo em Israel agora têm muitos dos direitos dos casais heterossexuais. Foi-lhes concedido reconhecimento legal para os benefícios em impostos de propriedade, de herança e auxílio-moradia.

Culturalmente, a comunidade homossexual está inserida na sociedade. Questões e temas homossexuais são representados na televisão, em filmes, teatros e na literatura. A maior parte dos bares gays de Israel funciona em Tel Aviv, que anualmente sedia a Parada Anual do Orgulho Gay. Em 1998, um cantor transexual — Dana International — representou Israel no concurso de música Eurovision e conquistou o primeiro lugar, dando ainda mais destaque aos transexuais na sociedade Israelense.


Países do Oriente Médio x Homossexualismo

Arábia Saudita
Pune: Sim.
Pena máxima: Pena de morte.
Pena mínima: Pena de morte.
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.

Bahrein
Pune: Sim.
Pena máxima: Dez anos de detenção.
Pena mínima: Multa.
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.

Emirados Árabes
Pune: Sim.
Pena máxima: Pena de morte.
Pena mínima: Pena de morte.
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.

Iémen
Pune: Sim.
Pena máxima: Pena de morte.
Pena mínima: Pena de morte.
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.

Irã
Pune: Sim.
Pena máxima: Pena de morte.
Pena mínima: Pena de morte.
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.

Iraque
Pune: Sim.
Pena máxima: Pena de morte.*
Pena mínima: Pena de morte.*
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.
* Desde a chegada das tropas americanas a Pena de Morte foi extinta.

Israel
Pune: Não.
União civil: Sim (de facto)
Protege de discriminação: Sim.*
* Grande apoio para reconhecer legalmente casais homossexuais. O único pais do oriente médio que apóia legislação pró-gay.

Jordânia
Pune: Não.*
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.
* Apesar de não ser considerado crime, relatórios mostram que a homossexualidade é causa comum para os "crimes de honra".

Kuwait
Pune: Sim.
Pena máxima: Sete anos de detenção.
Pena mínima: Multa.
União civil: Não
Protege de discriminação: Não.

Líbano
Pune: Sim.
Pena máxima: Um ano de detenção.
Pena mínima: Multa.
União civil: Não
Protege de discriminação: Não.

Omã
Pune: Sim.
Pena máxima: Três anos de detenção.
Pena mínima: Multa.
União civil: Não
Protege de discriminação: Não.

Autoridade Nacional Palestina
Pune: Não.*
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.
*Apesar da legislação palestina não possuir penalidades contra as minorias sexuais, os homossexuais palestinos fogem para Israel e outros países a fim de evitar que a população local os mate.

Qatar
Pune: Sim.
Pena máxima: Cinco anos de detenção.
Pena mínima: Multa.
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.

Síria
Pune: Sim.
Pena máxima: Um ano de detenção.
Pena mínima: Multa.
União civil: Não.
Protege de discriminação: Não.

 


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